COLO DO ÚTERO CURTO


A avaliação do colo uterino, durante a gestação, pode ser útil na identificação do risco para o parto prematuro espontâneo. Quanto menor o comprimento do colo, maior a probabilidade de prematuridade, uma vez que o esvaecimento cervical constitui uma das primeiras etapas do processo de parturição e precede o trabalho de parto em quatro a oito semanas.


O exame do colo uterino pode ser feito pelo toque vaginal e pela ultrassonografia abdominal ou vaginal. O toque vaginal, com objetivo de verificar as características do colo (dilatação, esvaecimento e posição), revela baixa sensibilidade e baixo valor preditivo positivo para a detecção do parto prematuro. Obtém-se melhor desempenho para o rastreamento do parto prematuro com ultrassonografia transvaginal.


Em comparação com a técnica abdominal, a via vaginal é mais vantajosa, pois permite a avaliação da porção supravaginal do colo uterino com menor interferência das partes fetais no segmento inferior do útero, além de não necessitar do enchimento da bexiga materna e evitar erros na medição pelo falso alongamento do colo uterino.


O comprimento do colo é o indicador ultrassonográfico mais importante, e a sua medida é feita linearmente, entre o orifício externo e o interno, delimitados pelo início e pelo fim da mucosa endocervical ecogênica (Figura 1). Outros achados secundários também podem ser obtidos com o exame, tais como a presença de afunilamento, detectado pela abertura do orifício interno do colo uterino superior a 5 mm, e a ausência do eco glandular endocervical.





Algumas limitações estão presentes nos estudos de predição do parto prematuro pela ultrassonografia transvaginal e, entre elas, a ausência de padronização em relação à idade gestacional da avaliação inicial e a indefinição do ponto de corte abaixo do qual o risco de parto prematuro torna-se significante. A medida do comprimento do colo uterino antes de 15 semanas não apresenta bons resultados para a predição, e a maioria dos estudos a utilizam durante o segundo trimestre da gestação, principalmente entre a 22ª e a 24ª semanas21,22, quando os resultados preditivos são melhores.

A definição de colo curto varia entre os diferentes autores, na dependência dos melhores valores de sensibilidade e especificidade para gestantes sintomáticas ou assintomáticas e de acordo com a idade gestacional da ocorrência do parto.

Na Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), é feita a avaliação ultrassonográfica transvaginal para medir o comprimento do colo uterino em todas as gestantes assintomáticas, com ou sem risco para o parto prematuro, entre a 22ª e a 24ª semana, por ocasião da ultrassonografia morfológica fetal.

Com base nos resultados de nosso estudo, no qual foram avaliadas 1.958 gestantes, aquelas com comprimento do colo igual ou superior a 20 mm têm baixo risco para o parto prematuro espontâneo. Por outro lado, aquelas com comprimento menor do que 20 mm devem ser consideradas de maior risco e necessitam de maiores cuidados (Figura 2).






O comprimento do colo inferior a 20 mm revelou-se o melhor valor para a predição do parto prematuro em idade gestacional anterior à 37ª semana e também para idade gestacional igual ou menor que 34 semanas. Para os dois grupos de partos prematuros, o valor preditivo negativo do comprimento do colo uterino foi superior a 90%, enquanto que os valores preditivos positivos foram baixos (58% para parto <37 semanas e 42% para parto < 34 semanas). Para as gestantes com história de parto prematuro, o ponto de corte encontrado também foi de 20 mm. Na gestação gemelar, consideramos o colo curto quando inferior a 25 mm.

 

Na presença de colo curto, são recomendados repouso, investigação de infecções genitourinárias, acompanhamento seriado das contrações uterinas, do comprimento do colo e realização de testes bioquímicos. Da mesma maneira, orienta-se o uso da progesterona natural micronizada, 200 mg/dia, pela via vaginal, até a 36ª semana.

Na gestante sintomática, ou seja, quando o diagnóstico de trabalho de parto prematuro é duvidoso, consideramos de risco para o parto prematuro a medida do comprimento do colo uterino inferior a 15 mm. Nesta situação, deve ser realizada a prevenção terciária - internação para tocólise e corticoterapia antenatal.





Fonte: www.scielo.com.br

 

 
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